Me achei só num lugar deserto; uma paisagem extraordinária ; uma leve brisa soprava enquanto seguia marcando o chão com as minhas pegadas. Andei durante horas, e a todo momento a sensação de déjà vu me surpreendia. Conhecia bem aquele caminho mas desconhecia o propósito de estar ali.
Ao longe avistei um banco, desses que se vê em praças de qualquer cidade, sobre ele lápis e um caderno, entre ele dois metros de terra, à frente dele um precipício.
Respirei fundo apreciando a visão assustadoramente gratuita. Sem nenhum fundamento que servisse de desculpas sentei e comecei a folhear o caderno. Pensamentos, aflições, desejos e espaços em branco; minhas palavras... minha letra... Um espanto, depois um alívio a constatar que pelo menos o lugar não era um convite ao suicídio.
Então com o lápis preenchi os espaços vazios dando sentido aos pensamentos, e enlacei os desejos transformando-os em metas... Depois arranquei as aflições rasguei-as em pedaços miúdos para enfim jogá-las no precipício.
Como que acordando de um transe me vi só na imensidão, caminhando em passos lentos em direção inversa as marcas do chão.
Nenhum comentário:
Postar um comentário