segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Passado recente


A primeira impressão é de que os velhos e bons tempos voltaram. Mas os bons momentos ou são substituídos por ainda melhores ou se tornam doces lembranças.
Não foi preciso muito tempo para descobrir que aquela reunião não seria como uma volta ao passado; uma ilusão provocada pela nuvem densa e fétida de oito fumantes num cômodo fechado ao som repetitivo de Ana Carolina.
Nada de tentativas filosóficas, nada de abobinações à política, nem mesmo discussões humoradas sobre os pós e contras entre ser homens e mulheres em seus relacionamentos. Ou seja, nada de noites incertas.
O que há agora são adultos totalmente previsíveis e suas conversas miúdas. Onde o álcool não surte efeito nos seus corpos já curtidos, e o sono impossibilita o bom humor perdido tão quanto a inteligência esquecida. Um salve a sequência: dos casais discutindo; às fococas ilimitadas e conseqüentemente aos silêncios prolongados.
E o entusiasmo do passado recente, todas as emoções e diversões foram encaminhadas a eternização, em já saudosas recordações que aparecerão só em rápidos flash backs.
A essência da juventude é a sabedoria em poder carregá-la para o resto da vida, ou deveria ser assim.
Micha.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

The perfec plan


Mentes calculistas buscando a 'brincadeira perfeita', onde só um lado tem direito a diversão. Um poder feminino dotado de perversão e crueldade.
Uma arma criada para capturar, construir, confundir e principalmente não se apegar.
O plano. Egocêntrico. Tirado de dentro do copo, redigido a um contrato de letras tortas e selado ao compromisso de execução.

domingo, 1 de agosto de 2010

Só enxerga quem vê

Como é fácil ler a expressão facial, não é mesmo?. Basta olhar para alguém e saberá se está feliz ou triste, com medo ou com raiva, enfim, esta é uma afirmação correta. Não. CLARO que não. Certo seria não nos convencermos com as expressões a primeira vista, aquelas exageradas, podem ter um 'porque' subentendido.

Pensei muito nisso quando ouvi uma colega aparentemente muito 'alegre' dizer que era triste, que ria para não chorar. Todo mundo já ouviu essa frase, mas na boca dessa mulher me soou doloroso, principalmente porque as demais que ouviram esta revelação convivem com ela a três e dois anos!. Putz. Que raio de pessoas são essas?.
Uma pessoa pode estar convidando você para rir junto, ou apenas fazendo você gargalhar diariamente. Já pensou que isto pode ser uma diversão para você e uma fuga para ela?

'Um sorriso abundante que exibe dentes alvos, um belo cartão de visitas, mas com os olhos tristes, apagados.' Ou seja, o cérebro permite contornar com os lábios o que o coração entrega facilmente com os olhos.

Talvez você possa estar perdendo de dar um suporte a alguém que convive por não saber apenas observar...

PS: Não generalize por favor!. Os humoristas agradecem.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Vivendo do sonho

Aproveitei o abraço forte e protetor... aconcheguei-me ao teu corpo enquanto ouvia teus sussurros... De vez enquando te fitava para garantir se era mesmo real, e então eu encontrava teu olhar doce e profundamente sincero... Palavras e seus significados perdem a importância para a troca de carícias e o confirmamento do sentimento avassalador. Nessa hora é simplesmente sentir e retribuir.... Enquanto à tempo....
A imagem aos poucos vai se desconfigurando, o toque ficando cada vez menos perceptível. A glória de horas vivida passa e ser segundos diante ao meu breve despertar sem alarde.
De volta "nesse mundo" penso que vivo ao contrário, meu dia se intercala entre pensamentos do nosso reencontro e de sustos, detectando o risco de que algo aconteça e tire meu foco... o "teu lugar".
Sentir a tua presença e a certeza de que de alguma forma te faço feliz me fortalece para me transportar, ou te materializar...

Garantindo a existência de uma história, juntos, até quando nos for possível.

Micha.

terça-feira, 9 de março de 2010

Bizarro mas não irreal

Começou... Basta que os primeiros acordes infiltrem nos ouvidos para que uma porta se abra diante dos meus olhos. Assim que entro automaticamente ela se fecha. Lá dentro sou "o" alvo das sensações.
Uma força viva toma conta do ambiente. Cada instrumento parte do meu corpo na velocidade de um cometa e atinge a parede imaginária ,voltando em movimentos espirais envolvente como uma dança e capaz de arrepiar da cabeça aos pés em centésimos. A voz e melodia explodem em forma de chuva, inundando o que resta do meu corpo e da minha alma.
Choro de olhos fechados e de braços abertos, então abro um sorriso de agradecimento. Uma forma simples de retribuir toda a felicidade ao ser transportada para este mundo.
"Música". Minha perfeição, minha magia viciante.


Micha

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Propósitos de uma solteira chinela porém feliz, dos 15 aos 26 no carnaval...

15- Geralmente é a idade que nos auto-intitulamos solteiras... antes disto ainda há escorregões em usar o spray de espuma... Queremos é pular Carnaval!, e é claro, chamar atenção dos guris;

16, 17, 18- Começamos a beber cerveja... Pegar e ser pegada sem compromisso é a meta!;

19, 20, 21- Da-lê concentração com as parcerias, a gangue se prepara à base de muito Ice e muito genérico, tudo pra garantir a alegria... Se rolar beijos e amassos é lucro!;

22, 23, 24- O que mais importa é beber!, a criatividade e a necessidade sem fundamento de criar drinks com vodka e whisky colocando dentro de copos feito com abacaxi é de praxe!;

25.......- Voltamos a beber cerveja, mas ainda aceitamos os genéricos só pra não perder o costume. O que mais importa é estar entre amigos...;

26- Conhecer pessoas diferentes!!!... Achamos que é hora de deixar de ser solteira!...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Imagine...

Me achei só num lugar deserto; uma paisagem extraordinária ; uma leve brisa soprava enquanto seguia marcando o chão com as minhas pegadas. Andei durante horas, e a todo momento a sensação de déjà vu me surpreendia. Conhecia bem aquele caminho mas desconhecia o propósito de estar ali.
Ao longe avistei um banco, desses que se vê em praças de qualquer cidade, sobre ele lápis e um caderno, entre ele dois metros de terra, à frente dele um precipício.
Respirei fundo apreciando a visão assustadoramente gratuita. Sem nenhum fundamento que servisse de desculpas sentei e comecei a folhear o caderno. Pensamentos, aflições, desejos e espaços em branco; minhas palavras... minha letra... Um espanto, depois um alívio a constatar que pelo menos o lugar não era um convite ao suicídio.
Então com o lápis preenchi os espaços vazios dando sentido aos pensamentos, e enlacei os desejos transformando-os em metas... Depois arranquei as aflições rasguei-as em pedaços miúdos para enfim jogá-las no precipício.
Como que acordando de um transe me vi só na imensidão, caminhando em passos lentos em direção inversa as marcas do chão.